quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Resenha: Dom Casmurro

Título: Dom Casmurro
Autor: Machado de Assis
Número de páginas: 192











 Começo esse post me explicando, não coloquei o nome de editora porque comprei o meu livro em um sebo e é uma edição muito antiga, então não tenho como recomendar uma editora pra quem quiser comprar, mas sei que existem muitas e muitas edições de Dom Casmurro, mas aconselho a procurarem em um sebo. Comprei o meu exemplar por 10 reais e ele está em perfeitas condições, as páginas estão amareladas, é claro, mas nada demais. Agora vamos a resenha...

Acho que todo mundo já escutou falar sobre essa obra e se não escutou ainda já passou da hora, então continue lendo... A história é sobre a vida de Bentinho, conta desde a sua infância até a velhice e tem foco no seu relacionamento com Capitu, que conheceu ainda na infância. Os personagens são apresentados logo no início da narrativa e são dados tantos detalhes que é como se o leitor realmente conhecesse cada um deles, dessa forma ao longo da leitura eu já podia imaginar a reação dos personagens diante de cada acontecimento. A problemática começa com a desconfiança que Bentinho têm de Capitu, assim a história toma rumos inesperados.

Machado de Assis é conhecido por seus capítulos curtos. O primeiro livro que li dele foi Memórias Póstumas de Brás Cubas e os capítulos curtos me geraram certa estranheza no começo, mas logo depois me acostumei. A maioria deles ocupa menos de uma página e os maiores têm entre duas e três páginas. O foco narrativo está na primeira pessoa e é Bentinho que narra toda a história e pretende contar sua vida desde a mocidade até o momento em que escreve. Bentinho conta sua vida no seminário, seu romance com Capitu e seus ciúmes que acaba virando o enredo central da história. Machado de Assis escreveu o livro usando de ironias e intertextualidade
Disse isto fechando o punho, e proferi outras ameaças. Ao relembrá-las não me acho ridículo; [...] Aos quinze anos, há até graça em ameaçar muito e não executar nada. Cap XVIII
Sinopse:
 Bentinho e Capitu são criados juntos e se apaixonam na adolescência. Mas a mãe dele, por força de uma promessa, decide enviá-lo ao seminário para que se torne padre. Lá o garoto conhece Escobar, de quem fica amigo íntimo. Algum tempo depois, tanto um como outro deixam a vida eclesiástica e se casam. Escobar com Sancha, e Bentinho com Capitu. Os dois casais vivem tranquilamente até a morte de Escobar, quando Bentinho começa a desconfiar da fidelidade de sua esposa e percebe a assombrosa semelhança do filho Ezequiel com o ex-companheiro de seminário.
 Como vês, Capitu, aos quatorze anos, tinha já ideias atrevidas, muito menos que outras que lhe vieram depois; mas eram só atrevidas em si, na prática faziam-se hábeis, sinuosas, surdas, e alcançavam o fim proposto, não de salto, mas aos saltinhos. Cap XVIII
Sou suspeita para falar de Machado de Assis, porque amei tudo que li até agora. Tive a sorte de ter um ótimo professor de literatura que me fez ter gosto pela literatura clássica e despertou meu interesse nesse gênero e espero que eu nunca perca. Comecei a ler Dom Casmurro porque tive uma discussão com um amigo onde eu defendia Capitu, falando que ela não traiu, e ele estava do lado do Bentinho. Para poder melhorar meus argumentos decidi ler a obra toda - já tinha lido uma parte para um trabalho da escola - e conclui que Bentinho e Capitu se merecem. Não achei palavras melhores para descrever a impressão que tive, mas não consegui ter uma opinião certa sobre se houve de fato uma traição, mas sei que ela mentia muito bem, característica que já apresentava na infância, e ele era desconfiado demais, mesmo sem provas concretas o ciúmes fizeram com que ele se tornasse um homem amargo e deu à ele pensamentos e ideias sombrias.
 A minha alegria acordava a dele, e o céu estava tão azul, e o ar tão claro, que a natureza parecia rir também conosco. Cap XCIII
O texto é muito bom, não é uma leitura pesada pelo vocabulário, mas gera grande reflexão por causa da temática e dos fatos apresentados. Pra quem deseja começar a ler os clássicos aconselho que comece por Dom Casmurro, pois o vocabulário é o que desanima muitas pessoas e esse é um texto complexo, mas com um vocabulário relativamente simples. Como li uma edição antiga, de 1977, me deparei com expressões que não usamos mais e por palavras que mudaram a grafia, mas achei isso super legal, pois pude ter contato com um português diferente, se é que posso dizer assim. Foi uma leitura muito rica e proveitosa, recomendo a todos!

Estou tentando melhorar as resenhas, essa é a primeira no modelo novo, espero que assim possa apresentar mais detalhes da obra e uma opinião pessoal mais clara e objetiva, espero que gostem.