sexta-feira, 8 de maio de 2015

Um conto a cerca do amor

Assim como há grandes segredos por trás do amor – da sua definição, interpretação e até mesmo do que é senti-lo – há também inúmeras histórias que tentam dar explicações a certas características de tal sentimento, afinal, sua origem é e sempre será um mistério.
Tentarei agora lhes contar uma delas.

R
eza a lenda que era um rei temido e poderoso; conquistador das melhores terras, possuidor das melhores armas; dono de um grande reino, e também de um grande amor.

       Mas diferente do amor que conhecemos hoje, este rei – bem como todo o seu povo – sentia um amor egoísta e unilateral. Nesta época o amor dependia única e exclusivamente daquele que o sentia – quem amava via-se completo simplesmente por amar, independente do que ocorresse ao ser amado. Se as atitudes tomadas por conta do amor fossem boas ou ruins pouco importava enquanto trouxessem satisfação – se fosse necessário ceifar uma vida, assim era feito, ou se molestar fosse preciso, também. Neste contexto um amor sem pudor e compaixão se manifestava sobre este povo e sobre este rei.
Porém, desde quando o mundo é mundo que para tudo o que nele acontece existem controvérsias.
Dentre as personagens desta trama havia uma bruxa que não sentia este amor egoísta – e talvez por isso, recebia o título de bruxa. Diante do amor que se propagava, desde os becos suados dos vilarejos aos cômodos vazios do palácio, o que transbordava no peito da bruxa era diferente – para ela, além de colher o fruto do amor que sentia era necessário alimentar quem o plantou – e com ele, pelo rei ela se apaixonou. O amou, e até sentiu-se satisfeita com tal sentimento, porém este amor – se é que podemos chamar dessa forma – se esvaeceu em decepção e rancor.
Era um sentimento intenso que já rendia anos, e até parecia recíproco em alguns momentos, mas o rei com sua soberba e amor descompassado não retribuía com a mesma simplicidade e empatia que lhe entregava a bruxa – que se sentia a cada dia, de rainha à escrava. O rei faminto destrinchava como uma ave as partes do amor e coração de sua pobre amante, até o dia em que ela se cansou de tanto desgosto e decidiu, antes de acabar com sua vida e sofrimento pelo amor não retribuído, rogar uma praga que se perpetuaria por toda a história da humanidade.
Reza a lenda que a bruxa praguejou sobre o amor de cada homem, prometendo que tal sentimento jamais sobreviveria se individual, unilateral e egoísta. Nenhum homem seria capaz de amar sem ser amado, de encontrar o amor sem a ajuda de outra pessoa. Reza a lenda que até hoje, todos os homens da terra estão fadados a vagar em busca do amor verdadeiro.