domingo, 17 de maio de 2015

Resenha: O Cortiço - Aluísio de Azevedo

Título: O Cortiço
Autor: Aluísio de Azevedo
Editora: Nova Fronteira (Saraiva de bolso)
Número de páginas: 267








Oi amores! Já deixem bem claro por aqui que amo os clássicos e hoje trago um que virou meu queridinho. Faz tempo que O Cortiço está na minha estante e sinceramente não sei porque demorei tanto pra ler. Mas felizmente levei ele comigo no feriado de Páscoa e devorei todas as páginas. Normalmente levo os livros em viagens e acabo me distraindo com outras coisas e não leio nada, mas dessa vez foi diferente, me envolvi com a história e todos os personagens e li o livro todo rapidinho, é muito bom quando isso acontece né?

"Forte para desejar e fraco para resistir ao desejo."

O livro conta o dia a dia da vida em um cortiço no Rio de Janeiro. Pra quem não sabe os cortiços eram muito comuns e eram estalagens com várias "casas" e todo mundo mora meio que junto, as condições são bem precárias e era onde as pessoas mais pobres moravam. O cortiço construído por Aluísio nesse livro era composto por pequenas casas, uma venda, nos fundos tinha uma pedreira e no pátio ficavam as lavadeiras que pagavam uma certa quantia para o dono do cortiço para poderem trabalhar naquele espaço. O tema central é mostrar como era a vida nesse espaço, onde se encontravam pessoas tão diferentes e que tinham que conviver ali e o meu tópico preferido é como o meio influência e transforma o indivíduo. Pra mim, essa parte do livro é a mais importante. Tem um personagem que vai morar com sua esposa no cortiço para trabalhar na pedreira e durante o tempo que passa morando ali ele é transformado por aquele novo ambiente e é muito legal ler o livro com atenção a isso. Todas as pessoas são modificadas de alguma forma pelas coisas e pessoas que as cercam e isso ocorre naturalmente com todo mundo, mas poucas vezes paramos para pensar e perceber isso, acho válido prestar bastante atenção nesse ponto da leitura de O Cortiço.

"Que estranho poder era esse, que a mulher exercia sobre eles, a tal ponto, que os infelizes, carregados de desonra e de ludíbrio, ainda vinham covardes e suplicantes mendigar-lhe o perdão do mal que ela fizera?... E surgiu-lhe então uma ideia bem clara da sua própria força e do seu próprio valor. Sorriu. E no seu sorriso já havia garras."

O texto é bastante descritivo, o que é ótimo, porque conseguimos realmente visualizar o ambiente retratado e principalmente os personagens, que são muito bem construídos. O que gostei é que o autor mostra os personagens tanto em sua individualidade quanto no convívio com outras pessoas e isso dá uma visão melhor de quem cada um realmente é, porque nem sempre somos nós mesmos perto de outras pessoas e o que se passa na mente de cada um, seus desejos e angustias, é mostrado também ao longo da narrativa. O livro é dividido por capítulos, 23 ao todo, e a edição que eu li trás logo no início um panorama geral sobre o autor, suas influências e sobre os personagens. Como a maioria dos textos naturalistas os personagens são comparados o tempo todo com animais e essa é uma característica muito forte presente em todo o livro.

"Amara-o a princípio por afinidade de temperamento, pela irresistível conexão do instinto luxurioso e canalha que predominava em ambos, depois, continuou a estar com ele por hábito, por uma espécie de vício que amaldiçoamos sem poder largá-lo."

Amo os livros e produções naturalistas e realistas e sabia que ia amar esse livro, mas pra quem não tem costume de ler clássicos e gostaria de começar acho que esse é um ótimo livro porque a linguagem é muito tranquila e apesar da temática é uma leitura leve. Amei e indico o livro para todas as pessoas. Não tem onde colocar defeito, adorei a escrita, os personagens, a temática, tudo!!! Espero que essa resenha influência alguns de vocês a sair da mesmice e dar uma chance aos clássicos. Até o próximo post. Beijinhos